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COIMBRA NO SEU LABIRINTO

COIMBRA NO SEU LABIRINTO

Coimbra está mal! Está francamente mal, com muitas e variadas patologias, mas a doença principal é política.

O governo da cidade é uma desgraça e o ambiente político geral é cada vez mais confrangedor. Faltam líderes políticos locais competentes, credíveis e que assumam a cidade como objectivo principal.

Alguns com particulares responsabilidades assumem o papel do “cão que mia”. Localmente assumem a postura dura, de guardiães do templo, mas quando chegam a Lisboa limitam-se a dar umas miadas moles.

Coimbra vê-se assim vazia de ideias e de importância, sem peso político, sem saber que caminho trilhar e sem capacidade de influência. Arredada da discussão dos grandes temas nacionais e com desgastadas e esgotadas lideranças locais, arrasta-se num dia a dia cinzento, à espera de conhecer mais um arguido vindo do vasto alfobre municipal.

Há sintomas de esclerose política e de anorexia cívica o que somados a uma debilidade cultural cerceiam a expressão da cidade e a sua projecção, puxando-a para o clube das pequenas cidades ou vilas.

Falta sangue novo na política conimbricense. Faltam ideias novas e novos protagonistas para que a cidade descubra como sair do labirinto em que se deixou aprisionar sem honra e sem glória.

É, portanto, essencial vencer o deficit de debate político e de participação cívica duma forma consistente, trazendo ao bom combate aqueles que legitimamente entendem que “Coimbra é o centro do mundo” e, que, como tal, precisa de músculo democrático e duma prática política com ética e com valores que lhe garanta força, prestigio e influência.

O exercício não é fácil, mormente, face ao estado a que se chegou e à ausência de perspectivas numa regeneração político/partidária. Haverá que concertar algumas atitudes. Por um lado é forçoso desenvolver uma intervenção interna nos partidos persistindo na necessidade de debate e renovação e por outro intervindo, com vigor e objectividade, externamente, das mais variadas formas, com o objectivo confesso de defesa da cidade.

 

Coimbra precisa dum choque transformador a nível político, realizado com coragem e sustentado em ética e valores. A cidade precisa de rupturas de a nível de prática política e de consensos a nível estratégico.

 

É preciso levar às últimas consequências a realidade da cidade ser uma cidade universitária, no sentido mais amplo e mais nobre do termo, levando a que autarquia e a Universidade se constituam parceiros estratégicos consistentes e permanentes, independentemente dos protagonistas que circunstancialmente presidem aos seus destinos.

Há que definir um desígnio para a cidade, acabando com o “arroz de miúdos” de querer ser tudo. Há que entender a realidade e perceber que hoje não há qualquer cidade do conhecimento, porque o conhecimento não tem um local físico de concentração e de disseminação. A investigação, a inovação e o saber desenvolvem-se através da rede global de que os mais variados e dispersos centros espalhados por todos os continentes, são nós.

A ideia de Coimbra, Cidade da Saúde apresenta-se, sem dúvida, como grande desígnio da Cidade, até que envolveria sem dificuldades a Universidade e um amplo leque de Instituições e personalidades que trabalham na área das ciências da vida. Por outro lado teria uma fácil adesão popular, tanto mais porque tem um forte background humano e tecnológico, nesta área, porque envolve a prestação de serviços altamente qualificados, tem uma clientela certa e cada vez mais exigente, tem um enorme valor económico e é extremamente exigente em I&D.

Mais é urgente assumir a cidade e afirmá-lo com vigor que Coimbra é a Capital Regional do Centro, começando desde já a retirar todas as consequências desta evidência. No próximo dia 23 devia haver painéis nas entradas da cidade com o lema: “Coimbra, Capital Regional do Centro”.

Depois é fundamental construir um projecto de cidade que, na minha modesta opinião, passaria por três eixos: a) Assumir a cultura como elemento fundamental de revitalização e desenvolvimento; b) Salvar a Baixa, que é o seu coração, com um intervenção ousada, inovadora, chocante; c) Projectar a cidade como centro, por excelência, da Lusofonia.

Estes três grandes eixos seriam facilmente conciliáveis com intervenções articuladas, cirúrgicas e corajosas, nomeadamente: construindo no Terreiro da Erva um edificio emblemático, por exemplo uma torre (veja-se o que vem sendo feito em algumas cidades de média dimensão no Reino Unido) para instalação da Câmara, por outro lado o edifico da Câmara seria destinado a Casa da Cultura; e finalmente o edifício da penitenciária seria reinventado para um Centro Lusófono, onde, entre vários equipamentos, seria instalada a Biblioteca Geral da Universidade.

Cultura, promoção da língua portuguesa, inovação e arquitectura de vanguarda são peças dum puzzle de desenvolvimento integrado que teria como suporte económico o cluster da saúde ou das ciências da vida.

 

Claro que tudo isto ou algo de diferente, mas estruturalmente coerente com uma cidade amiga do ambiente e com elevados padrões de qualidade de vida, suscitaria orgulho, entusiasmo e empenhamento global o que não tem sido conseguido com o cizentismo e a inércia existente.

 

Mas para isso é preciso visão, coragem e competência política aquilo que não há hoje em Coimbra, por isso que nesta feirados23 se incendeie o debate e se assista ao aparecimento de jovens políticos que cientes de que a política é dura e difícil, se preparem para a decepção mas também, com utopia, para o futuro.

É preciso e urgente salvar Coimbra!

João Silva

 

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Feira dos 23

As feiras foram desde sempre lugares de cidadania de discussão dos temas da cidade e de convívio e celebração da vida. Nas feiras encontram-se pobres, ricos, mais e menos letrados, todos se reúnem para o bem comum.