Monthly Archives: Fevereiro 2009

SOBRE A CORRUPÇÃO

A seguir transcrevo alguns excertos de um artigo que publiquei, em 2008, no Campeão das Províncias, sobre esta temática

“A corrupção é um tema permanente de notícia.

Soubemos, por estes dias, que o escândalo de corrupção na Siemens deu origem a uma primeira condenação em tribunal, levando a que um antigo executivo daquele grupo alemão fosse condenado, por 49 crimes de abuso de confiança, a uma pena de prisão de dois anos, com pena suspensa, e ao pagamento de uma multa de 108.000 euros.

No final deste primeiro julgamento o procurador Anton Winkler afirmou: “Deste processo saem duas mensagens: a primeira é que todos aqueles que sabem alguma coisa têm a obrigação de falar, para ajudar a elucidar este caso. A segunda é que a Alemanha não tolera a corrupção”.

São, assim, convocadas duas responsabilidades: uma pessoal e, outra, a do Estado; sendo que as duas estão interligadas dado que a corrupção não é um mero fenómeno circunstancial ou uma moda mas é uma verdadeira questão civilizacional que encontramos referida desde a Antiguidade Clássica até aos nossos dias.

Temos, por isso, de trilhar um caminho convergente entre uma mudança cultural, de mentalidade e de perspectiva social do problema e a actuação do Estado, no sentido da prevenção, identificação e penalização da corruptus.

Há hoje, aliás, mecanismos de identificação e de visualização internacional como o que nos é fornecido pela Transparência Internacional – uma organização não-governamental cuja página ( www.transparency.org) merece consulta – que tem como objectivo lutar contra a corrupção e que em 2007 colocava Portugal em 28.º, num rankig mundial, dando-nos assim uma importante medida de enquadramento do nosso país, na forma como somos encarados nesta matéria, enquanto colectivo.

Por outro lado é frequentemente lembrada tese da autoria de Daniel Kaufmann, director dos Programas Globais do Instituto do Banco Mundial, constante dum artigo “Dez mitos sobre governação e corrupção”, publicado na revista trimestral do Fundo Monetário Internacional, «Finance and Development», em que garante que a diminuição da corrupção poderia pôr Portugal na senda do desenvolvimento, ao mesmo nível da Finlândia.

Claro que a percepção da corrupção tem levado, no nosso país, a iniciativas várias tendentes a identificar e combater o fenómeno, lembrando, por exemplo, a publicação pelo Ministério da Justiça do documento sintético intitulado “Prevenir a Corrupção – Um guia explicativo sobre a corrupção e crimes anexos”, que lamentavelmente não terá tido a necessária divulgação pública.

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Muitas vezes, com ou sem razão, as autarquias locais são apontadas como um dos locais preferenciais da corrupção e a esse nível era importante que os candidatos autárquicos adoptassem um código de ética e de transparência, que viesse permitir uma melhor governação local assim como alterar essa visão tão injusta para a maioria dos autarcas.

 

Claro que quando se nomeia, como fez o actual presidente da Câmara de Coimbra, o presidente dum clube de futebol para dirigir o urbanismo, o manteve três anos nessa situação e perante suspeições de actos de corrupção, ele, supremo responsável político da Câmara, não mexeu um dedo para o apuramento cabal e global do que passou durante esses três anos, é difícil convencer os cidadãos de que existe um verdadeiro combate à corrupção.

 

De igual modo quando toda uma cidade perante estes factos se mantém calada e obviamente medrosa, temos de convir que há um longo caminho a percorrer no sentido da elevação do nível do seu governo, porque sem reacção e sem sanção social e política, por muitas leis que se façam tudo irá continuar na mesma, e estamos a falar de Coimbra!” 

        

João Silva

Uma no cravo outra na ferradura

Cá por Coimbra é assim.. tanto somos capazes do melhor como do pior..

Começando pelo melhor, é de realçar e aplaudir que o Museu da Água, sito no Parque Manuel Braga na antiga Estação de Captação de Água, foi nomeado para o prémio de Melhor Museu Europeu para o ano de 2009 (European Museum of the Year Award, EMYA), distinção criada pela organização não governamental inglesa European Museum Forum (EMF).

Merece ainda especial relevo quando se sabe que a concepção do Museu foi um sucesso a todos os níveis, desde a integração paisagística até ao aumento da visibilidade do Parque, uma vez que o Museu, só no primeiro ano, foi visitado por mais de 20.000 pessoas, e quase diariamente recebe visitas de estudo de escolas.

Se tivermos em atenção que recentemente o Museu da Ciência, no Laboratório Chimico, foi também distinguido (galardoado com o Prémio Micheletti de melhor museu europeu do ano na categoria de ciência e tecnologia) então a cidade está de parabéns.

Mas, voltando às margens do Mondego, pode-se dizer que Coimbra deu uma na ferradura, com o Museu, e outra no cravo, com as novas piscinas descobertas projectadas pelo CoimbraPolis.

A obra ainda não foi inaugurada, mas pelo que já se pôde ver, dois pequenos tanques (1 de 7×7 metros e outro de 23×16 metros) parecem-me claramente insuficientes para a procura de uma cidade como Coimbra, que tem deixado desiludidas várias pessoas com quem tive oportunidade de discutir o tema. É que gastar 1,6 milhões de euros – 320 mil contos – para Coimbra ser gozada por ter construído a “Piscina dos Pequenitos”, como já vi, mais valia estarem quietos..

Daniel Tiago

O doidinho que só sabia dizer mal!

Havia um senhor que só sabia dizer mal, quando toda a gente dizia que tudo ia bem e o “louco” gritava o rei vai nu.

O rei ia coberto com um lindo casaco de peles e algumas jóias. A corte comprava grandes cavalos que até trocava quando não gostava da cor, e o povo vivia na miséria.

Na Grécia antiga já havia os tais loucos, alguns foram baptizados de demagogos e proibidos de entrar nas cidades, eles diziam que ainda faltava muito naquele regime para ser uma democracia. Em Roma haveriam também alguns loucos diziam que o imperador andava nu, um dia Roma ardeu.

Os nobres por todo o lado simulavam pensar no povo nos seus desacatos, na realidade o exercício do poder e suas mordomias seduzia-os perversamente que continuavam a dividir as riquezas do estado pedindo sacrifícios ao povo. Em tempo de vacas gordas a corrupção passava mais ou menos encapotada pela lógica ele rouba para ele mas também rouba para nós. Quando a seca grassou e povo começou a passar fome e o imperador e sua corte continuaram nas grandes farras, as suas montadas gordas os banquetes fartos o ócio infindável estava patente nas mãos brancas e lisas.

Existiram várias cidades que viveram este tipo de problemas e os seus habitantes reagiram de forma diferente, umas compreenderam o louco e rapidamente substituíram o poder corrupto. Outras houve como Roma em que um dia o povo queimou tudo, mas numa aconteceu algo de estranho em que o povo começou a dizer que não era de lá, todos tinhas nascido em todo o lado menos ali, eram de zonas daquela cidade e diziam que a terra deles era a dos pais ou aquelas em que tinha a segunda casa. Esta cidade tornou-se uma terra de ninguém, por culpa não só de alguns, mas de todos que não souberam ouvir o tal doidinho do costume que tristemente nunca conseguiu deixar de dizer esta é a minha terra.

Um comité de sábios reuniu-se no Olimpo celeste chegando à conclusão que as cidades mais felizes eram as que tinham maior número de loucos denunciando as imoralidades “normais” com tal vigor que elas viravam anormalidades.

Levantem-se os loucos desta cidade, insurjam-se para que nunca ninguém tenha vergonha de dizer “sou Conimbricense”.

Hugo Duarte

O tema em discussão na Feira dos 23 até ao dia 7 é corrupção activa, passiva ou legal!!!

Aceitam-se contributos para feira.dos.23@gmail.com

CONTRIBUTO PARA O CONHECIMENTO DOS PRODUTOS DA FEIRA

“Os romanos desenvolveram cerca de 400 variedades de couve, como as couve-de-folhas (B. oleracea variante acephala), e plantaram-nas no Norte e Lesta da Europa, ainda que elas não fossem completamente desconhecidas por essas paragens. Os celtas consumiam couves selvagens na Idade do Ferro e também tinham cultivado uma variedade própria semelhante à couve selvagem. Contudo, com a adição das variedades romanas, os vegetais crucíferos tornaram-se uma parte fundamental da dieta da Europa do Norte e do Leste, a cuja importância acrescia o facto de poderem ser conservados em vinagre (sauwekraut) e guardados para os longos Invernos.

Igualmente úteis seriam outros parentes próximos da couve, como o nabo (Brassica rapa) – uma planta de todas as estações –, que dava alimento verde nos meses quentes e raízes nos frios. A beterraba (Beta vulgaris) terá também tomado parte desta migração de plantas (há uma variedade de beterrabas chamada “romana”), apesar de, para além do Mediterrâneo, ser igualmente nativa da costa atlântica, colhida e tratada, especialmente pelas folhas de cima, até ao principio da era cristã.

Já o rabanete (Raphanus sativus) e a mostarda (género Brassica) seriam culturas arreigadas nos tempos romanos quer pelas sementes oleaginosas, quer pelas suas partes vegetais. Também as suas plantações se deslocaram para norte e para leste, onde os rabanetes se tornaram uma iguaria apreciada pelos europeus centrais e de leste, e as sementes de mostarda foram pulverizadas e acrescentadas ao sumo da uva para o conservar. Ma Inglaterra, o sumo de uva tinha o nome de “mosto”, e as sementes de mostarda foram apelidadas de “sementes de mosto”. Daí o nome “mostarda”.”

Uma História Saborosa do Mundo
Kenneth F. Kiple

Com este contributo quando forem à Feira já sabem alguma coisa mais sobre couves e não só.

Agora informem-se e preparem-se bem para quando forem votar nas próximas eleições.

João Silva

Hoje foi dia de grande romaria à Feira dos 23

Arroz da Ereira…

arroz-da-ereira

Em reportagem na Feira dos 23