Coimbra reflecte-se nos Conimbricenses

Fugindo um pouco ao tema da cadeia e também da política, uma vez que não sou político, queria apenas deixar o meu contributo, partilhando convosco o meu ponto de vista sobre Coimbra, na qualidade de “coimbrinha”.

É já usual ouvir frases feitas como Coimbra dorme à sombra da Universidade ou que a cidade está parada, ideias essas que são passadas pelos próprios habitantes, e que dão lugar a outras frases como os conimbricenses não são críticos e que se deixaram envolver pela pasmaceira da cidade.

Não julgo que tudo isso seja verdade. O que a mim me parece é que os conimbricenses são, de facto, muito críticos e preocupados com o que se passa na sua cidade, o que também se pode verificar através dos diversos movimentos cívicos que entretanto surgiram. O que se passa é que a imagem que a cidade transmite molda a opinião de quem cá vive ou de quem a visita. Senão vejamos, imaginem-se no lugar de um turista que chega a Coimbra de comboio. O primeiro contacto que tem com a cidade é uma estação ferroviária completamente terceiro-mundista. E se chegar através de rodoviária? Sinceramente nem sei qual das duas gares deva envergonhar mais a cidade…

Nestes casos dizem-nos que não nos preocupemos pois com o TGV tudo se resolverá. Será? E para quando? Daqui por quantos anos teremos obras que já deveriam estar feitas ontem? Braga e Aveiro também vão receber TGV e actualmente têm estações dignas…

Infelizmente esse não é o único atraso de que a cidade padece, basta dirigir o olhar para o projecto do Campus Judicial ou do Metro Mondego em que este, quando se começou a discutir ainda nem do Metro do Porto se falava e actualmente o Porto já tem uma rede maior que a de Lisboa e nós… esperamos.

Coimbra está, aliás, muito habituada a esperar. Desde 1982 que se espera por uma candidatura à Unesco, algo que poderia elevar alto o nome da cidade tendo grandes benefícios na área do Turismo. Uma candidatura que começou por ser da cidade e que agora se resume apenas à Universidade. Esperámos também pela Ponte Rainha Santa Isabel, tal como (espero estar errado) agora iremos esperar mais uns anos até vermos o IC3 concluído.

Enquanto isso, surpreendentemente, Coimbra – Cidade Universitária – continua a afastar os jovens que nela estudam. Chegou-se a um ponto em que quem é de fora não permanece em Coimbra mas também quem é natural de Coimbra já não consegue por cá ficar. As razões são várias e conhecidas de todos, esta é uma cidade sem oportunidades de emprego, foi há pouco tempo considerada a cidade mais cara do país para se comprar casa e a quinta mais cara para arrendamentos. Assim não será de estranhar que cada vez mais se assista ao êxodo populacional do concelho de Coimbra.

A cidade encontra-se assim, generalizando, dividida entre a Baixa, em declínio, a Solum e a Portela com as urbanizações de luxo e todos os outros, que diariamente empreendem em movimentos pendulares para a Lousã, Montemor ou Condeixa, municípios onde é mais barato viver…

Mas nem tudo é mau, como acima referi certas ideias não correspondem inteiramente à verdade, porque esta é também a Coimbra das novas empresas de alta tecnologia, a Coimbra que foi já considerada a cidade com melhor qualidade de vida em Portugal, uma cidade cheia de identidade e história e, claro, uma cidade que continua a encher os corações dos “coimbrinhas”.

Para abordar minimamente o tema proposto, a Penitenciária, o que tenho visto é, por parte da CMC um “lavar de mãos” público em relação ao destino a dar ao complexo, colocando a decisão como sendo da responsabilidade do Ministério da Justiça… Entretanto fala-se na construção de um hotel e habitação. Então mas o Ministério da Justiça manda mais que o PDM de Coimbra?.. Duvido que no PDM a área ocupada pela Penitenciária esteja classificada como uso habitacional, logo supõe-se que afinal existe algo que a CMC pode fazer em relação ao espaço, é preciso é que o queira.

Perante o panorama nacional a importância simbólica de Coimbra ainda continua bem presente, mas é urgente mudar esta imagem de melancolia, mostrar perante o país que Coimbra não está a dormir, para isso são precisos mais i-parques, investir no melhor que a cidade tem: a Saúde e a Educação e, porque não, como atrás referiu e bem João Silva, uma torre, que sirva como ícone de uma nova Coimbra, uma Coimbra moderna.

Mas só isso não basta, é também necessário voltar a captar os jovens que Coimbra forma, bem sei que o orçamento não permite loucuras mas deixo um exemplo: porque não aproveitar a localização do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova em relação ao futuro Centro de Congressos de São Francisco e transformar o Mosteiro num centro de escritórios “low-cost” direccionado a jovens empreendedores, funcionando como uma incubadora de empresas? Porque não insistir perante a CP na constituição de uma verdadeira rede de comboios urbanos para a Figueira da Foz e Mealhada, bem como uma ligação decente ferroviária ao Porto da Figueira para transporte de mercadorias?

É que Coimbra, tendo uma situação privilegiada na Região Centro, cada vez mais se torna num vazio no meio da região do que propriamente o centro, até mesmo no Plano Rodoviário Nacional Coimbra apenas se encontra acima de Guarda e Bragança…

É necessário que Coimbra se afirme realmente como uma cidade dinâmica, moderna e o motor de toda esta região, retomando o lugar que, historicamente, é seu.

Daniel Tiago

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s