Santa Clara e o Japão

Segundo o Código da Praxe da Academia de Coimbra, para lá do rio Mondego fica o “Japão”, um lugar distante e já fora dos limites praxísticos. Ora, sendo Coimbra uma cidade com a sua história profundamente enraizada na Universidade não será portanto de estranhar que ainda hoje Santa Clara seja vista como algo longínquo… Ou será?

Veio este parágrafo a propósito de uma das maiores carências da margem esquerda de Coimbra que é o estado das vias rodoviárias. Pois é, passando nós naquela que é uma das freguesias urbanas mais carismáticas da cidade de Coimbra, é com grande espanto que nos deparamos com um cenário que nos leva a duvidar que estejamos numa cidade europeia do Século XXI, tal a degradação que vemos perante os nossos olhos.

Tenho passado regularmente num troço que, mais uma vez deverá ser remendado, a ser se “desenrasca”, refiro-me à Rua Luis António Verney, que separa o Estádio Universitário da Escola Silva Gaio e se encontra num estado lastimável.

Segundo soube, através de um elemento ligado à CMC, essa rua e outras serão repavimentadas a curto-prazo… Não me surpreende, até porque estamos quase em véspera de eleições, o que me continua a inquietar é que já ouvi este discurso antes e o remendo aguenta sempre sensivelmente um ano… Será que desta vez é para durar?

Só que esse não é o único caso nesta freguesia, problema que aliás se alastra por exemplo a São Martinho do Bispo, a situação encontra-se num ponto tal que, numa votação realizada pela Junta de Freguesia de Santa Clara, no seu site, verifico que à data que publico este texto 37,69% dos votantes elegeram este como o principal problema da freguesia, o que me parece revelador do descontentamento da população.

Em Santa Clara parece que tudo é feito um pouco atabalhoadamente, sem aparente grande preocupação, talvez ainda com a mentalidade de que esta zona é arrabalde, tal como o era há poucos séculos. Basta olhar para o acesso feito desde o planalto de Santa Clara ao centro comercial Fórum Coimbra, um percurso entre apertadas ruas que inicia na Escola de Almas de Freire, passa por uma grande rotunda junto ao Centro de Saúde mas logo após novamente nos encontramos numa estrada apertada, digna talvez de uma pequena vila. Dizem que é temporário… Mas o temporário em Portugal é uma palavra que assusta, pois invariavelmente se torna definitivo.

Continuando, as contrapartidas do Fórum Coimbra eram apenas o viaduto (inicialmente um túnel) na Av. da Guarda Inglesa? A pista de cross, agora transformada em baldio ficará assim por quantos anos? Segundo se diz a CMC pretende manter o tribunal na Baixa, em detrimento da margem de Santa Clara, e por estes lados, continua-se a ter a gare dos SMTUC numa zona que poderia facilmente ser uma zona nobre da cidade? Com a Av. de Conímbriga com um aspecto completamente periférico, sabendo todos nós o potencial que tem para ser uma das mais agradáveis da cidade?

Quando é que os habitantes da margem esquerda começam a ser olhados como habitantes da cidade de Coimbra e não como… japoneses..?…

Daniel Tiago

 

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