AS MARGENS DO NOSSO DESCONTENTAMENTO

O Daniel Tiago tem dado conta da degradação em que se encontra um conjunto de rodovias na margem esquerda, bem como o contraste entre o arranjo das duas margens.

 

Tem toda a razão. É, contudo importante ter em atenção que a questão da diferença de tratamento e de consideração que as duas margens têm merecido radica no processo histórico de desenvolvimento urbano da cidade, que só muito recentemente mereceu um olhar diferente, particularmente com o Programa Pólis, que é bom lembrar teve a oposição, desde o inicio, do PSD, do CDS e da CDU, forças políticas, que assim que tomaram o poder na Câmara não só atrasaram as obras previstas, como o amputaram e desqualificaram.

 

 

De igual modo pararam o desenvolvimento dos projectos para o Convento de São Francisco e para o Rossio de Santa Clara, assim como preferiram gastar cerca de um milhão de contos na construção de forma atrabiliária do Estádio Sérgio Conceição em detrimento da cooperação com a Universidade na requalificação do Estado Universitário e envolvente.

 

Para já, foram oito anos deliberadamente “roubados” à requalificação da margem esquerda.

 

Quanto ao estado das ruas não tenhamos dúvidas que agora, nesta fase pré-eleitoral, e apesar das “pazadas” de alcatrão que já vão sendo atiradas vão começar as operações de repavimentação, ainda que subsistam os atentados que foram feitos na saída sul da Ponte de Santa Clara, que teriam posto apopléctico o Professor Edgar Cardoso, seu autor, assim como todo o sistema confuso e absurdo de circulação na zona da Guarda Inglesa.

 

Mas todas estas e muitas outras questões, que o Tiago nota numa cidade que gosta e que por isso mesmo o preocupam, têm uma razão muito mais profunda. É que tudo isto acontece porque a actual Câmara não tem uma ideia mínima sobre a cidade, os seus autarcas não têm qualquer visão para o Concelho e para o seu futuro. Fazem política de navegação à vista e uma gestão autárquica sem ética e sem valores que levaram à destruição do músculo moral e financeiro da Câmara, tornando-a numa instituição travão do desenvolvimento da cidade.

 

O Tiago vai decerto, como todos nós, ver aparecer daqui até Outubro alcatrão “novinho” a tapar os buracos das ruas, assim como vai ouvir afirmações e promessas redentoras de quem em oito anos destruiu mais projectos do que construiu, de quem em oito anos fez de Coimbra um espaço de intriga política e a Câmara um centro de escândalos e uma instituição desprestigiada.

 

Na verdade nestes últimos anos foram causadas graves feridas físicas nas duas margens mas mais graves ainda foram as feridas éticas e políticas causadas no coração da cidade.

 

Coimbra, 13 de Fevereiro de 2009

 

João Silva

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One response to “AS MARGENS DO NOSSO DESCONTENTAMENTO

  1. Talvez a margem esquerda tenha sido de alguma forma dotada ao esquecimento, contudo não sou da mesma opinião. Contudo, e com esta observação não quero tomar o partido de ninguém, se é que me faço entender, mas durante anos, e não foram poucos como isso, outras zonas da cidade foram esquecidas em detrimento de outras já de si novas e renovadas. Falo do centro histórico de Coimbra. É certo que o centro histórico vai para além do que o cidadão comum considera como centro histórico, mas aqui, quando falo do centro histórico, falo da Alta e da Baixa de Coimbra (sobretudo da Alta). Nunca em tempo algum a Alta de Coimbra esteve como está hoje. São cada vez mais os edifícios recuperados, não só por privados, mas também pela política de reabilitação integrada da CMC que encetou medidas de apoio e incentivo aos proprietários para reabilitarem as habitações, quer para melhorar a qualidade de vida dos residentes.
    Considero que um território qualificado com identidade cria, naturalmente, predisposição para a fixação de população e a bem da verdade, a identidade de Coimbra nasceu aqui, na Alta. Uma identidade que esteve perdida durante anos, mas que aos poucos começa a redefinir-se.

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