Coimbra e a emergência da pós-modernidade.

 

maak27s_spirit

http://en.wikipedia.org/wiki/Maak’s_Spirit

 

Na sexta-feira dia 13 á noite desloquei-me ao Teatro Gil Vicente para assistir a um espectáculo publicitado no Rádio Club pelo meu amigo Paulo Santos, espectáculo do quinteto Belga “Mâak´s Spirit” que se define como um grupo atípico que se caracteriza pelo quebrar das regras da musica.

A praça da república tinha pouco gente a noite estava fria. Os cafés tinham mais algumas pessoas. O espectáculo decorreu no bar deste teatro em que estava quase tanto frio como na rua, as cadeiras gelavam o corpo. O cidadão urbano de repente começou acordar nota após nota som após som, foi o som mais urbano que alguma vez ouvi. Um som pós-moderno se que isso existe, os instrumentos tocam cada um a sua melodia chamando a atenção para si, concertando pontualmente tons e acordes, tal como as forças vivas da cidade. Todo este desassossego decorria perante não mais de 30 almas resistentes ao frio do bar enquanto o contrabaixo e um dos candeeiros da sala travavam um duelo intenso para mal da paciência do artista. Por momentos imaginei-me em Chicago. A Avenida Sá da Bandeira continuava sonolenta no seu século XIX desassossegado apenas duas vezes ao ano, em Coimbra mais nada se passava neste início de fim-de-semana curtinho para a propalada Lusa Atenas e os seus 40000.

            O Teatro Gil Vicente e a Associação Académica são provavelmente a maior marca do modernismo em Portugal, na obra literária a “A noite em arquitectura” do arquitecto Jorge Figueira percebe-se que nunca num edifício se concretizaram tanto os propósitos do modernismo como na A.A.C..

            A música desregrada desafiava a regularidade dos traços arquitectónicos despertou em mim a necessidade da pós-modernidade em Coimbra, a nova Ponte é uma marca deste refutada pelo actual poder da cidade que rapidamente a amarrou ao seu romantismo chamando-lhe Rainha Santa e detrimento do pragmático nome Europa. Jorge Figueira acerca deste sentimentalismo afirma “O sentimentalismo exalta o sortilégio de Coimbra, criando uma retórica paralisante, anti-pragmática.”

            O TAGV edifício modernista projectado por Alberto Pessoa e Abel Manta e construído em (1958- 1959) foi de forma intensa uma concretização dos ideais modernos ao longo das suas crises académicas (1969).

            Agora é preciso concretizar a pós-modernidade, existe um caminho mais que óbvio a construção de uma nova estação substituindo o actual apeadeiro irritante que é a estação principal da cidade. Mas Coimbra é muito mais que uma cidade de passagem e não pode concretizar a pós-modernidade só na Ponte e na Estação.

            È preciso romper com este neo-classicismo ridiculamente rural romanceado que Salazar nos trouxe com a construção das faculdades na década de 40 do século passado. A A.A.C. rompeu com este espírito, mas ele voltou apoderou-se das mentes. A cidade tem sair desta bebedeira letárgica e ser capaz de atrair os estudantes para a cultura universalista e a sua produção. Para um empreendimento de tal monta, a arquitectura e a engenharia têm que ser convocadas para a construção de uma grande infra-estrutura com lugar óptimo o terreiro da erva podendo implicar algumas demolições. Esta infra-estrutura terá como principal objectivo convocar a cidade e o país para a cultura. Franck Gehry ou Tomaz Mayne parecem sem dúvida nomes a ter em conta neste choque cultural.

            Esta infra-estrutura reafirma Coimbra como a capital da região centro, tem por missão complementar salvar a baixa da cidade transformando as ruas da baixa em artérias por onde irriga a cidade de gente disposta a viver a urbanidade conhecendo os seus primórdios.

            Esta CoimbraCul tem enorme viabilidade e basta 1300 dos estudantes frequentarem este espaço ao fim do mês não foi preciso todos os irem a este espaço para ele ter esta frequência diária.

            Este espaço deve ter a grande uma grande sala de espectáculos para 5000 espectadores no mínimo, esta área deve congregar também as outras artes uma galeria de arte, uma sala de cinema com uma verdadeira tela cinema, um café concerto, um mega loja cultural. O colégio das artes teria aqui a sua casa ideal.

È pena com os actuais protagonistas políticos tudo isto não passar de um sonho!

 

Hugo Duarte

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