Ítalo Calvino

“As cidades ocultas. 3.

 

Uma Sibila, interrogada sobre o destino de Marozia, disse: – Vejo duas cidades: uma do rato, outra da andorinha.

 

O oráculo foi assim interpretado: hoje Marozia é uma cidade onde todos correm em cunículos de chumbo como bandos de ratos que arrancam dos dentes uns dos outros os restos caídos dos ratos mais ameaçadores; mas está para começar um novo século em que todos em Marozia voarão como as andorinhas no céu de Verão, chamando-se como num jogo, exibindo-se em reviravoltas de asas quietas, libertando o ar de melgas e mosquitos.

 

– Já é tempo de acabar o século do rato e começar o da andorinha – disseram os mais resolutos. E de facto já sob o torvo e mesquinho predomínio do ratos se sentia, entre a gente menos em vista, incubar um movimento impetuoso das andorinhas, que apontam para o ar transparente com um ágil golpe de cauda e desenham com a lâmina das asas a curva de um horizonte que se alarga.”

 

Para começar bem a semana recomendo a leitura de: “As Cidades Invisíveis”, de Italo Calvino.

 

João Silva

 

 

 

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One response to “Ítalo Calvino

  1. Não vale andar a ler o mesmo!

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