Alguns dos porquês…

Escrito por João Silva   
18-Fev-2009

Depois da rejeição, em referendo, da regionalização, com nove regiões parece ter surgido um relativo consenso de que uma futura proposta de regionalização contemplaria apenas cinco regiões. Assim sendo, parece óbvio a existência de uma Região Centro que terá como capital Coimbra. Não se concebe outra solução!

Ora, uma capital regional implicará a existência de serviços e estruturas de âmbito regional, muitas das quais já existem hoje, pelo que a lógica será de manter e se possível reforçar esses serviços preparando-os para, sem futuros custos, assumirem o seu papel integrados e dependentes do governo regional.

Contudo, e à contrário, o que tem vindo a acontecer é que vários serviços de âmbito regional e há muito sedeados em Coimbra, têm sido daqui retirados, por óbvias razões políticas, levando a que sejamos confrontados com dúvidas, senão mesmo com um enigma.

O que é que, verdadeiramente, se pretende com o esvaziamento e enfraquecimento de Coimbra, para mais quando se argumenta que estas medidas se inscrevem na preparação do processo de regionalização? Dá que pensar.

Então não deveria ser exactamente o contrário! Como é que se pode imaginar uma sede regional sem serviços regionais? Como é que é possível pensar num governo regional operativo com serviços dispersos duma forma irracional? Por quê fazer isto agora sabendo que se vão aumentar custos de destruturação e potenciar, sem necessidade, futuras reacções bairristas?

É realmente difícil perceber tudo isto e é, sobretudo, necessário temer o pior.

Isto só acontece, como é evidente, por fragilidade política de Coimbra. O Governo goza com Coimbra e esta vai aceitando tudo isto pacificamente, porque não tem nervo político.

Agora só falta mesmo criar a ideia de que a futura sede do governo regional deve ficar em Aveiro ou Castelo Branco e ouvir alguns políticos de Coimbra a justificarem a ideia com base em “inteligentes” argumentos.

Claro que há quem tema falar no assunto, não só com medo de eventuais reacções que possam dificultar o processo de regionalização, mas também porque entende que a questão é tão óbvia que não merece ser colocada. Depois de tudo o que tem vindo a acontecer não parece que o silêncio seja boa política.

Mais, deveria ser “obrigatório” que os partidos e forças políticas que vão concorrer a Coimbra, nas próximas autárquicas, inscrevessem nos seus programas e manifestos políticos a afirmação de Coimbra como futura Capital Regional do Centro de modo a que todos os futuros autarcas ficassem politicamente vinculados a esta ideia e comprometidos na realização de consequentes políticas de preparação da cidade para tal.

Este deveria ser um objectivo comum de modo a que se acabassem com medos, equívocos e enigmas e com políticas subservientes de estratégias politico-aritméticas prejudicais à região e ao país.

www.campeaoprovincias.com

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One response to “Alguns dos porquês…

  1. «Não se concebe outra solução!»

    Lá estamos nós no domínio do irracional. É claro que se concebem outras alternativas. Viseu, Aveiro e Castelo Branco poderiam desempenhar perfeitamente esse papel. Aliás, para se ser capital de papel até Santa Comba Dão serve. Só têm de demonstrar que são a melhor opção com argumentos tangíveis e mensuráveis.

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