Cidades Desertas

Estava hoje a ouvir uma das intervenções do Arquitecto Bandeirinha, na conferência abaixo indicada, sobre reabilitação urbana e, às tantas, dou por mim novamente a comparar a realidade portuguesa com a situação que actualmente se vive nos Estados Unidos da América…

E isto porquê? Portugal, apesar das notórias diferenças, tem seguido, de certa forma, o “american way of life” em que todos ambicionamos a nossa casinha com um bocadinho de terra e o carrinho à porta… e a verdade é que fruto desta tendência de misturar campo com cidade, quem sofre é o território e, no fundo, somos todos nós, que temos de pagar mais impostos (uma vez que são necessários maiores recursos para uma população dispersa) e sofremos também no dia-a-dia com as filas de trânsito em que nos encontramos nos nossos movimentos pendulares casa-trabalho.

Não me vou alongar muito até porque, para fundamentar o que digo, vou colocar um texto que adaptei do original escrito por Zack O’Malley, da revista Forbes, intitulado “America’s Emptiest Cities”. Espero que sirva para, tomando Coimbra como exemplo, possamos reflectir sobre a organização territorial que está a ser implementada (Metro Mondego, reabilitação do Centro Histórico, expansões urbanas, etc) e verificar mais uma vez que esta sociedade exponencialmente mais periurbana poderá não ser sustentável e que devemos olhar para a situação americana não só copiando o que fazem, mas aprendendo com os erros que cometem.

«As Cidades mais Vazias da América

Durante décadas Las Vegas vibrou com nova construção e um desenvolvimento económico alucinante. Detroit, o centro da indústria americana, estagnou e enferrujou sob o seu próprio peso. Assim, Las Vegas e Detroit “disputam” o título de cidade mais abandonada da América. Atlanta surge em terceiro, seguido por Greensboro, N.C. e ainda por Dayton, no 6º posto.

Estes resultados surgem de uma combinação entre taxas de ocupação de casas alugadas e casas próprias realizada pela Forbes com valores obtidos no Census Bureau, em que o valor final é uma média dos dados acima observados, para as 75 maiores áreas metropolitanas dos Estados Unidos da América.

Cidades como Detroit e Dayton são vítimas do longo declínio industrial americano, já outras como Las Vegas e Orlando, são vítimas da recente quebra na procura de casa (existem 18.9 milhões de casas vagas nos EUA). Boston e New York estão na situação oposta,

Ainda assim, os bairros vazios estão-se a transformar num problema cada vez mais grave no país. A taxa de casas de aluguer livres a nível nacional está agora em 10.1%, acima de 9.6% de um ano atrás.

“Está uma confusão” diz o construtor Laurence Hallier de Vegas. “Agora, as coisas estão congeladas. Toda a gente está assustada.” Hallier, sabe-o por experiência. O seu complexo Panorama Towers era um sucesso no início, há três anos. O primeiro dos quatro arranha-céus residenciais planeados foi vendido em seis meses, o segundo, que abrira em 2007, vendeu em 12 semanas. Já a terceira torre, perto da data de conclusão no Outono passado, tinha apenas vendido 92% de suas unidades. Com a recessão apenas metade dos negócios foram concluídos. Hallier diz que demorará anos para vender o restante e o projecto para a quarta torre foi atrasado indefinidamente.

Enquanto os preços dos bens imobiliários subiram rapidamente durante o crescimento, os consumidores contraíram grandes empréstimos para comprar casas, partindo do principio que os valores iriam continuar a aumentar. Em vez disso os preços tiveram uma queda abrupta, em especial em lugares como Las Vegas, Florida e Phoenix, onde o crescimento do parque habitacional era grande. Muitos proprietários encontraram-se então de repente com o valor das propriedades longe do valor das hipotecas que realizaram. A situação em Las Vegas é bastante má mas em Detroit os problemas são muito mais profundos. O grande desenvolvimento industrial durante a primeira metade do século XX, a população de Detroit cresceu de 285.000 em 1900 a 990.000 em 1920, alcançando um pico de 1.8 milhões em 1950. Mas no começo dosanos 60, Detroit começou o declínio. A sua população é agora de 900.000 – metade do que era no meio do século – e muitos dos seus bairros deterioram-se rapidamente.

A maioria dos estudos responsabilizam o alargamento dos subúrbios, o outsorcing de trabalhos fabris e os programas federais que dizem agravar a situação criando uma cultura do desemprego e de dependência.

Contudo após mais do que meio século, ainda ninguém foi capaz de encontrar uma solução para recuperar Detroit.

Las Vegas sofrerá eventualmente o mesmo destino?»

E Coimbra, sofrerá o mesmo destino?..

Daniel Tiago

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