COIMBRA PERDE O ENCANTO

Coimbra foi a capital de muitas coisas, distrito, cultura, saúde, saber, etc… Assim foi.
É certo e notório que Coimbra, nestas últimas décadas, tem caminhado claramente em contra ciclo, afastando empresas e empresários empreendedores, diversos organismos públicos e estudantes, tendo cada vez menos peso no cenário socio-político português. E é de todo lamentável que Coimbra tenha servido para formar pessoas influentes aos mais diversos níveis, as quais vão para Lisboa e esquecem totalmente a cidade que lhes deu vida, acabando por se revelarem totalmente desenraizados das suas origens, quer natais quer intelectuais.
A este facto não será totalmente alheio o pseudo elitismo intelectual que tanta força tem tido na nossa cidade, rodeado de um marasmo audaz e um entorpecimento atroz, que nada contribuem para o desenvolvimento da nossa região.
E agora assistimos, impávidos e serenos, ao esvaziar de um conjunto de organismos públicos, Ministério da Agricultura para Castelo Branco, Direcção Regional do Ministério da Economia para Aveiro, Direcção Regional do Ministério da Educação para Viseu, e sabe-se lá que outros (se bem que já não sobram muitos).

A pergunta que se coloca é se vamos todos abanar a cabeça como carneirinhos ou se vamos dizer basta! a esta situação.
E mesmo a talho de foice, qual machadada final na cidade moribunda, vão também retirar alguns serviços da EDP para centralizar em Lisboa e Porto e, quem sabe, no futuro retirar a EDP de Coimbra.
Quem tem que entrar em Lisboa ou Porto, depara-se diariamente com filas intermináveis, onde as pessoas passam horas e perdem o seu maior potencial produtivo, aliado ao facto do incremento da poluição (emissões CO2) e desperdício de combustíveis, que nós compramos ao exterior e pagamos principescamente.
A pergunta que se coloca é esta: será esta centralização útil para o nosso país e para a nossa sociedade? Certamente que não.
E o que fica em Coimbra? Será que o futuro de Coimbra é a cidade dos reformados e pouco mais? Pois porque por este andar qualquer dia temos em Coimbra alguns estudantes, e digo alguns porque sem perspectivas de saída, claramente teremos as nossas faculdades desertas, consultórios médicos e de advogados e os hospitais, enquanto não se lembrarem de acabar com o Serviço Nacional de Saúde. Há, é verdade, enquanto a Segurança Social não falir, teremos também alguns reformados que optam por terminar os seus dias naquela que foi a “Coimbra tem mais encanto na hora da despedida”.
Será que em Coimbra já não existe aquele espírito que esteve na origem de grandes acontecimentos como a revolta académica de 1962, e outros que nos passam pela memória.
Fica aqui o repto lançado e espero que tenhamos todos consciência de que se nada fizermos para contrariar esta situação, serão os nossos filhos e os filhos dos nossos filhos que mais sofrerão com a falta de saídas profissionais em Coimbra (região centro).

Carlos Faria

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