Precisamos de jardins deste século.

Coimbra é também conhecida como a Cidade dos Jardins, título de uma edição da C.M. de Coimbra pelo seu Departamento da Cultura liderado então por Teresa Portugal.

A sociedade de hoje não é a do século passado, os jardins inspirados no renascimento e nos palácios reais não satisfazem as necessidades e actividades da população urbana. Este facto leva a que boa parte dos jardins estejam normalmente ás moscas, mas se estivesse só á mercê destes habitantes inevitáveis na época estival e que de resto a colónia de sapos parteiros do Jardim da Sereia chama um bife não era mau. O medo e a criminalidade invadiram estes espaços.

As senhoras já não dão seus passeios de final de tarde mostrando as jóias no Botânico.

As famílias já não fazem os seus piqueniques de domingo no Choupal.

Os rapazes já não “perseguem” as raparigas com assobios e piropos no Parque Dr. Manuel Braga.

Os pequenitos já não brincam na sereia á espera de fugir com uma Bola de Couro chutada para a mata densa para dor de cabeça do senhor Freixo.

O professor Crispim já não corre com os rapazes da briosa mata acima.

Os estudantes já não namoram no Penedo da Saudade ou no Penedo da Meditação.

A rapaziada já não vai experimentar a máquina dos pais á de Mata de Vale de Canas e mostrar a foca.

Já nem os reformados jogam á sueca ou á malha nos bancos do jardim.

Há lugar para os jardins antigos como o Botânico funcionando como museu onde encontramos a riqueza florista das diferentes latitudes do planeta e imaginamos as vivências das antigas das damas com vestidos de cauda galanteadas por estudantes, especialmente ao sábado quando as noivas escolhem estes locais para tirar fotografias.

Hoje um espaço verde apelativo tem de oferecer outras valências, tal como rampas de skate, ciclopistas, campos de futebol, basquetebol, voleibol e ténis, pequenas rampas de escalada, pontos de água para beber, locais para colocar os dejectos dos animais de estimação, os baloiços os únicos que nunca passaram de moda, um arrelvado aparado uma florestação pouco densa e uma boa iluminação publica para que as pessoas possam andar á noite sem medo, bares e quiosques. Em Coimbra só existem 3 espaços com estas características, um construído no tempo de Manuel Machado conhecido como SkatePark no Vale das Flores, onde ás vezes dou uns chutos na bola, o Parque Verde na margem direita do Mondego obra do programa polis e a praia fluvial que só foi possível graças ao grande empenho do presidente da Junta de Freguesia das Torres do Mondego.

Em oito anos Carlos Encarnação já podia ter transformado os jardins do século passado em jardim do nosso tempo, nem só de relvados sintéticos vivem os amantes do desporto e do ar livre.

 

Hugo Duarte

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