Da Páscoa, ficaram os padrinhos e os afilhados…

Nesta quadra religiosa, apesar de não professar qualquer religião, estabeleceram-se um conjunto de coincidências que me fizeram reflectir sobre a humanidade e os seus valores.

O século XVIII foi o século da libertação, o século XIX teve como maior desígnio o individualismo que até hoje se perpetuou na “economização” das relações humanas, desígnio que se intensificou até aos dias de hoje.

Segundo “Georg Simmel”, a humanidade passou a reger-se por um espírito objectivo em detrimento de um espírito subjectivo.

Estas afirmações fazem todo o sentido nos dias que correm, Jesus afirmou que nos trazia a verdade, não afirmou que nos trazia a riqueza ou qualquer coisa mais objectiva. Repartiu o pão, mas sem o prometer, ou sequer dai retirar partido, com certeza viu isso como uma obrigação fundamental de um líder responsável.

Hoje choca-me que alguns lideres, que já se sabe só pregam a mentira sejam seguidos em função da tal cultura objectiva. Por um muro cimentado, um contentor do lixo ou até um Plano Ocupacional numa Junta Freguesia e vota-se neles, a verdade é confundida com poder e com dinheiro.

Há dois mil anos o dom da verdade absoluta era algo que apenas o imperador romano possuía e os seus representantes. Quando alguém proclamava a verdade como fez Jesus Cristo levantava-se logo o fantasma da conspiração ou da cabala, as pressões começavam para que a verdade fosse favorável a quem detinha o poder, pressões essas que acabaram por levar Jesus á cruz.

È em nome da cultura objectiva que alguns políticos, banqueiros e outros abusadores do poder que clamam sempre a inocência, sempre em nome da prova objectiva, mesmo que o enriquecimento ilícito seja inquestionável e salte a olhos vistos. Os valores subjectivos que Cristo proclamou, como o amor, a solidariedade, a bondade ou a honestidade para com o próximo foram esquecidos. Valores estes que geraram a confiança que alimenta milhões de seguidores há mais de dois milénios e que parecem já não ter importância na relação entre os diferentes poderes e os seus súbditos num país com aproximadamente 90% de católicos. Não confunda-mos isto com pecadilhos quem os não tem que atire a primeira pedra, ou o não perdoar, o perdão implica a confissão o arrependimento, algo que em algumas declarações percebemos que anda muito longe das concepções éticas desta gente. Como dizia (Simone de Beauvoir) “O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Mas eu ainda vou mais longe, mais grave ainda é quando tentamos tirar partido delas, mesmo que em detrimento de valores como a liberdade, a igualdade e a justiça, valores seguidos por Jesus Cristo com a intensidade como a bíblia nos revela.

 

Hugo Duarte

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s