MAIO, MADURO MAIO

Há promessas no ar de que teremos nos próximos dias candidato do PS à Câmara.

 

Tem sido quase tão difícil ao PS Coimbra indicar o seu candidato como o concílio episcopal escolher o Papa. Mas agora vai haver fumo branco.

 Os candidatos estão anunciados, pelo menos três: Henrique Fernandes, Luís Marinho e João Vasco Ribeiro. Poderá, claro, haver sempre uma surpresa, mas a verdade é que o PS Coimbra até agora só nos tem surpreendido pela incapacidade de surpreender e por isso é de duvidar.

Para mim o candidato obrigatório por um milhar de razões deveria ser o presidente da Federação e actual Vereador Victor Baptista. Fez uma colheita que agora deveria ter a coragem de colher. Não deveria fugir ao desafio.

Mas na sua ausência, qualquer dos candidatos, que venha a ser indigitado, vai confrontar-se com um conjunto de desnecessárias dificuldades decorrentes, em primeiro lugar, da absoluta incapacidade dos dirigentes locais do PS de, no tempo oportuno, terem definido uma estratégia, um caminho, e trabalhado na sua consecução. Têm sido anos de uma dramática navegação de cabotagem em tudo contrária à arte da política que implica prospecção, visão e uma estratégia de longo e médio prazo.

Depois pelo legado que lhes vai ser deixado relativamente à actuação autárquica destes últimos quatro anos: um absoluto desastre! Hoje não se vê como superar as contradições e as confusões de uma semi-oposição formal e de uma confusão geral de comportamentos e de posições autárquicas que seguramente serão colocados sobre a mesa no confronto eleitoral.

O controlo de estragos já não se será possível e por isso a qualquer um dos candidatos vai ser exigido um enorme esforço de justificação e uma grande capacidade para sacudir os “macacos” que lhe vão ser deixados como herança.

Para mais o arrastar de toda a situação criou um círculo de dúvidas e originou o aparecimento de facções e de apoiantes públicos de uma ou de outra “candidatura” o que só trouxe mais desgaste e óbvias divisões internas.

Por tudo isto os parabéns àqueles que se sentiram muito ofendidos quando há mais de dois anos escrevi ao Secretário-Geral do PS a alertá-lo para que era mesmo isto que iria acontecer. Não me consola a razão o que me desconsola é que parece que ninguém quis ver e toda a gente se calou, mesmo aqueles que agora se manifestam preocupados e assumem frontalidades tardias.

Mas em Maio vamos ter candidato e depois o apelo grandiloquente à unidade na acção e ao empenhamento na vitória, ao mesmo tempo que por trás se entreterão a fazer e desfazer vereadores e a empurrar para o abismo amigos/adversários no habitual e comovente exercício da sua grande política.

João Silva

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