COIMBRA, A POLÍTICA E OS NEGÓCIOS

Quer como Deputado Municipal quer como simples cidadão insurgi-me, por repetidas vezes, com a prática política e de gestão do Executivo autárquico presidido pelo Dr. Carlos Encarnação.

A ausência de uma ética de serviço, o esbanjamento financeiro, a utilização da Câmara como um espaço de “trabalho” partidário, com o óbvio e chocante recrutamento de militantes da maioria, violando muitas vezes disposições legais, foi, particularmente, no seu primeiro mandato a política do Dr. Encarnação e os documentos de gestão relativos a estes quatro anos provam-no à saciedade.

Politicamente foi um descalabro e por isso no segundo mandato viu-se obrigado a algumas alterações comportamentais não porque houvesse uma vontade deliberada de as fazer mas porque a própria realidade financeira a isso obrigou.

De qualquer modo estes oito anos de gestão são, para quem queira fazer uma análise minimamente séria, um desastre para Coimbra e vão continuar a ter reflexos por muitos anos.

Sei que esta minha análise é desvalorizada pelo genérico desconhecimento dos cidadãos do que se passa no interior da Câmara e sobretudo ao incómodo que ela própria suscita na meu partido o PS, sendo óbvio que foi esta minha postura critica da gestão do Dr. Carlos Encarnação que levou, em grande medida, ao meu afastamento das listas do PS para a Assembleia Municipal.

A minha voz era e é demasiado incómoda e vai-se percebendo, a pouco e pouco, porquê.

Não tenho a pretensão da verdade mas tenho a certeza de que numa questão essencial Coimbra entrou em perda nestes últimos anos: no seu bom nome e na degradação da imagem a nível nacional e isto fruto, iniludível, da acção do actual presidente da Câmara, que é de novo candidato.

Se há de há muito uma rede de conivência política entre o PSD e a CDU, que com o Dr. Carlos Encarnação passou a ter uma expressão pública e institucional clara, também com o Dr. Carlos Encarnação passaram a ter lugar outras conivências como vê pelo que se tem passado na Câmara e na Empresa Municipal Águas de Coimbra, uma criação sua apoiada pela CDU.

A Câmara transformou-se, de certa forma, um centro de negócios e de promiscuidades de que foram expoente a acumulação de um ex-vice-presidente com a presidência da ACIC, das Águas de Coimbra e da administração de várias empresas privadas e que agora, sem pejo e sem memória, se apresenta com um diáfano manto de pureza, já para não falar de três anos de acumulação do presidente de um clube de futebol com as funções de director municipal do urbanismo, uma verdadeira e deliberada ofensa ética e política que a cidade não deveria esquecer.

As eleições autárquicas vêm aí e os cabeça de lista já estão escolhidos. Cada escolha reflecte uma aposta política para o futuro mas os eleitores também irão olhar para o passado e o mínimo que se pede, nomeadamente ao PS, é que seja capaz de apresentar uma lista “limpa”, sem suspeitos nem arguidos, técnica e politicamente capaz e desde logo isenta de promiscuidades e de acumulações defensivas.

Veremos se é capaz. O caminho é forçosamente por aí e seria bom que não se metesse por atalhos porque nem todos podem ser iguais e a lista da coligação de direita já sabemos como vai ser.

Coimbra, 8 de Julho de 2009

João Silva

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One response to “COIMBRA, A POLÍTICA E OS NEGÓCIOS

  1. BRAVO!

    Grande João Silva, sempre no seu melhor.

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