Os dias sem política…

Hoje não vos maço com política, até porque os dirigentes do meu partido (PS Coimbra) pediram aos militantes cuidado nas palavras, não vão elas danificar a estratégia em curso rumo à Praça 8 de Maio.
Falemos então de coisas menores, da minha varanda para o mundo, vejo um jardim, um jardim abandonado, de árvores secas envolvidas por silvas e espécies vegetais invasoras. Os cedros envolventes ao jardim e à praceta já não inundam a rua com o seu cheiro fresco.
Das parreiras selvagens que serpenteiam anarquicamente de árvore em árvore já só sobram os secos troncos. Estas trepadeiras bravias acautelavam a sombra daqueles que ao fim de semana preparavam a festa de nossa senhora dos milagres.
Os milagres normalmente dão trabalho.
Este jardim é agora ocupado por meia dúzia de batoteiros de meia-idade, que alegando preparar a romaria que já há alguns anos não se realiza, usufruem do espaço público sem resultados alguns para vizinhança, contribuinte habitual da festa. A estória dos dias era sempre a mesma, apesar de, para os mais distraídos, parecer sempre diferente. Havia pelo menos um sempre chateado que conspirava com outro mais ou menos aborrecido, porque o jogo lhe corria mal, as cartas não lhe tinham saído bem. O jardim definhava até que um dia resolveram fazer uma patuscada, distraíram-se no jogo e tudo ardeu, enquanto o jardim ardia eles discutiam o Duque de copas que sinalizou erradamente o Ás, ou a Manilha de Paus que saiu fora do tempo. Quando deram conta do fogo só lhes restou observar, pois a sua coordenação nunca serviu para apagar fogos mas sim para jogar.
Rosa lá vinha como sempre com um cesto à cabeça vinda da praça.
– O que se passa?
Olhando para o céu o batoteiro mor puxou da cachimónia!
– Foi um raio, não vê como o céu está escuro?

A tricana olhou para o céu, abanou com a cabeça e seguiu o seu caminho. Enquanto olhavam todos para céu como que corroborando a atoarda, outro sorriu.
– Grande ideia, não lembraria ao diabo.
Mesmo quando o céu parece quase azul como hoje, esta calçada escorrega como se chovesse torrencialmente, por culpa das pedras obviamente, não por culpa dos homens que as colocaram, com seus passos poliram e que teimam passar por elas de carro sem olhar para quem vai a pé, pensou a mulher com seus botões.
Como vos prometi, hoje não falaria de política, é pena alguns fazerem-nos pensar que fazem politica, a mais nobre actividade que conheço, quando na realidade se ficam normalmente pelo egoísmo das estórias banais da irresponsabilidade social.
Apesar do comedimento do artigo, espero continuar a fazer parte dos filiados aos quais o camarada Reis Marques afirma que escrevem duas linhas e que os militantes não atribuem qualquer importância, pois com toda a certeza os dirigentes do PS Coimbra já não ouvem o Povo Socialista há muito. Para além de, naturalmente, não procurar ter muita ou pouca importância, muito menos encostar-me a alguém para tal.
A importância de um politico, na minha perspectiva, mede-se pela bondade das suas acções na procura de uma sociedade mais justa, livre e fraterna em detrimento da vaidade egoísta de exibir o poder aproveitando-se das fragilidades da sociedade, tanto na perspectiva ética, como económica.
É preciso continuar a lutar por um Partido Socialista laico e republicano com tudo o que esta expressão implica. Força socialistas não vale atirar a toalha ao chão. Apesar de tudo os ideais do socialismo democrático são os únicos que garantem um Portugal melhor para todos.

Hugo Duarte

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