O PS COIMBRA E MANUEL ALEGRE

Manuel Alegre despediu-se, no passado dia 23, da actividade parlamentar, depois de 34 anos em que se assumiu, sempre, como homem de Coimbra e foi em sucessivos mandatos Deputado do PS por Coimbra.

Do PS Coimbra não se ouviu, nesse momento, uma palavra.

É o silêncio eloquente da falta de memória e da mesquinhez política que faz sobrepor ao essencial as divergências circunstanciais ou os incómodos de uma voz livre.

Os actuais dirigentes do PS Coimbra demonstraram assim, mais uma vez, a sua dimensão política e a forma como entendem o património e a história do partido.

Manuel Alegre quer queiram quer não, e apesar de todas as divergências locais que com ele possam ter havido, não foi, nem decerto continuará a ser, um socialista qualquer e o PS Coimbra tem para com ele uma dívida de gratidão.

Muitos cidadãos de Coimbra votaram e apoiaram o PS por causa de Manuel Alegre, assim como outros se fizeram militantes também por causa de Manuel Alegre.

Mas do actual PS Coimbra não seria de esperar outra coisa. Aliás, hoje, o PS Coimbra é uma amálgama inconcebível de falta de ideias, de projectos e de rostos locais para encabeçarem um projecto partidário. Basta olhar para os cabeças de lista para Deputados, para a Câmara e para a Assembleia Municipal – três independentes.

O PS Coimbra está transformado numa árvore seca incapaz de produzir frutos qualificados para os combates que um partido político de poder, com um relevante património político na cidade, tinha obrigatoriamente de apresentar.

O PS Coimbra parece não passar de uma pura empresa de casting, que selecciona uns candidatos para uma produção circunstancial de que nem ele próprio é capaz de fazer o guião.

Como é que militantes e eleitores se podem rever num partido sem bandeiras e sem rostos próprios, um partido puramente calculista e acobardado, sem a coragem que esteve na sua origem e na sua afirmação.

Por tudo isto é fácil perceber o silêncio senão a alegria, de alguns dirigentes, por verem Manuel Alegre fora do Parlamento. As ideias e os ideais incomodam, para mais quando, estranhamente, num momento decisivo se apela ao pragmatismo.

Por tudo isto será que ainda fará algum sentido ser socialista em Coimbra? Para defender o quê e para lugar por quê se o partido começa a não ser mais do que uma ficção?

 

João Silva

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